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31 de maio de 2017

Liberdade é coisa séria

Powelli - Flickr

Com toda a movimentação e indignação que surgiram depois do caso de corrupção envolvendo a JBS e diversas figuras do governo, uma questão em especial ficou pulsando na minha cabeça: a punição, a prisão. Como eu, muitas pessoas ficaram bastante contrariadas (putas da cara) com o acordo que os donos da JBS conseguiram para si. Como pode tanta facilidade na negociação levando em consideração o tamanho do estrago, da falta de ética e o impacto que isso teve, tem e terá na vida dos brasileiros? Como pode alguém jogar com a vida de outras pessoas e sair com seus privilégios e, principalmente, com sua liberdade intacta? Algo parece em desacordo.

Liberdade é coisa séria. Tanto que aos piores crimes que possamos imaginar a maior punição que damos a quem os comete é justamente tirar-lhes a liberdade (pelo menos no âmbito legal). A impossibilidade de decidir como usar o seu dia, onde ir, o que comer, quando dormir, etc. é o que desejemos àqueles que mais detestamos.   Pensei sobre prisões e suas grades e lembrei do Eduardo Marinho – na palestra dele, organizada aqui em Caxias pelo pessoal da Casa Paralela e do 1quarto – falando das prisões que criamos pra nós mesmos a fim de fugir da violência gerada pela desigualdade social (quem tem se protege de quem não tem). Pensei no Rafael Vieira que foi condenado a cinco anos de prisão por ter roubado um produto de limpeza. Pensei na Maria (nome fictício) que está longe dos filhos por ter roubado ovos de páscoa. Pensei novamente nos irmãos Batista, no Eike, na Claudia Cunha. Realizei que prisão, grade, é pra quem ameaça o poder instituído ou para àqueles que devem ser “domados”, impedidos de fugir, pois o propósito que tem para as suas vidas é diferente do traçado para eles.

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Impossível não fazer o paralelo com o tratamento dado aos animais destinados a consumo humano. Impomos aos animais não humanos a nossa pior punição, mesmo sendo eles a materialização da inocência. Animais são tolhidos de suas liberdades pelos mais diversos motivos: nas fazendas industriais por suas secreções, pele e carne, nos zoológicos e aquários por sua beleza, nos laboratórios de pesquisa por sua semelhança conosco (são nossos irmãos, afinal), nas quadras de esportes por sua força e agilidade e em correntes por nossa ignorância. E tudo isso em frente aos nossos olhos, que veem tanta injustiça e opressão nas nossas relações humanas, mas não se vê como opressor. Será que podemos esperar uma sociedade justa, igualitária e, principalmente, pacífica, enquanto ignoramos e justificamos a prisão e exploração de outros seres?

Às vezes me perguntam: ‘Por que você gasta tanto do seu tempo e dinheiro falando da bondade com os animais quando há tanta crueldade com o homem?’. Eu respondo: ‘Estou trabalhando nas raízes’. George T. Angell

Liberdade é coisa séria. Liberte.

Gabriela Basso

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