paralel universe
18 de abril de 2017

Que realidade me prende?

Esses dias eu estava fuçando em videos no youtube quando me deparei com esse do Carl Sagan explicando a quarta dimensão. Sou louca por livros de ficção cientifica e fã do Carl, então cliquei na hora. Para além das possibilidades e incríveis desdobramentos que a existência de diversos universos/dimensões paralelas permitem, a explicação do tio Carl me fez pensar em outras questões.

 

Me fez pensar sobre as realidades não tão paralelas, nada invisíveis, que nos rodeiam e que, por vezes, não conseguimos (ou não queremos) entender. Para nós humanos, seres extremamente visuais e, na cultura atual dominante, muito materialistas, a ideia de que existam vidas paralelas que não podem ser vistas, tocadas, sentidas pelos nossos sentidos humanos, costuma ser encarada com ares de misticismo. E nesse mundo que tem a ciência, com seus métodos, números, garantias, testes e dados, em um pedestal como lei suprema do que é real ou relevante, falar de coisas impalpáveis e abstratas se torna secundário. Coisa de gente de humanas (rá!).

O que eu quero dizer com isso é que, com esta adoração da ciência (que é sim incrível e nos trouxe infinitos desenvolvimentos como espécie) nos deixou, também, apáticos a realidades que não conseguimos tocar ou medir. É o famoso “só acredito vendo”. E esse ceticismo em relação àquilo que não me toca pessoalmente se traduz em falta de empatia, em medo do diferente e, muitas vezes, em violências nas nossas relações com outros humanos e seres que dividem esse planeta conosco. Se traduz no homem que, por não entender/viver a realidade de ser mulher, desmerece a luta dela por igualdade. Se traduz no empresário bem nascido, que por nunca ter sido (nem correr o risco de ser) empregado, desmerece a luta por melhores condições de trabalho e por assistências sociais. Se traduz no heterossexual, que por nunca ter sentido o olhar do preconceito, diz que a luta LGBT é mimimi. Se traduz no humano, que por não correr o risco de ser visto como comida, diz que os outros animais não merecem o direito básico a vida.

No video o Carl fala que somos criaturas tridimensionais presas a uma realidade tridimensional. Só conseguimos ver e tocar o que está nesta mesma tridimensionalidade. Entretanto, podemos compreender outras dimensões e pensar sobre elas. O mesmo se aplica nas nossas relações interpessoais. Minhas circunstâncias podem ser radicalmente diferentes das de outra pessoa e é provável eu nunca vá conseguir compreender em completude a realidade do outro (pois não a vivi diretamente), mas eu posso escutar, aprender e exercitar o se colocar no lugar do outro.

A reflexão que ficou em mim é: que outras realidades não nos esforçamos para ver? Que privilégio pessoal não reconhecer essas realidades está mantendo? Sei que eu, Gabriela, tenho muito a aprender e agradeço desde já às maçãs – como no video – que me deram e darão os empurrões necessários para fazer eu voar mais alto no entendimento da vida de outros seres, me tornando cada dia mais empática e agradecida.

Bóra todo mundo se amar!

 

Gabriela Basso

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  • Cássia

    Li todas as postagens até agora do blog e achei lindo. Principalmente por me identificar com essa visão de respeito à todos os tipos de vida. Gostaria de ver continuidade apesar de ser focado em moda, em assuntos como o veganismo, que foi pincelado aqui. Mas enfim, parabéns pelo blog.

    • Gabriela Basso

      Oi, Cássia! Obrigada pelo feedback! Fico feliz que tenha gostado dos assuntos abordados. Pode acompanhar que o veganismo será pauta recorrente aqui! Grande abraço!

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