Apresentando: Izzy, nosso mascote!

Pensa num “ser” tudo de bom: vegano,  gender fluid, ativista, desconstruidor, empoderado e fashionista.

Só pode ser de outro planeta, não? 

Pois é, esse é  Izzy, nosso novo mascote!

Há algum tempo a Gabi, (criadora da marca) vem pensando em criar um mascote, algo que desse voz à marca, que comunicasse assuntos sérios de uma forma divertida e não tão pesada.  Ela, que sempre amou ficção cientifica e  herdou do pai a curiosidade sobre OVNis e extraterrestres, pensou que um serzinho de outro mundo seria o mascote ideal.

“Se uma raça extraterrestre mais inteligente que nós humanos viesse para o nosso planeta, e não entendendo nossa linguagem e tentativas de comunicação acabasse nos escravizando, isso seria justificado pelo simples fato de não sermos compreendidos?  – Gabi Basso

Alguma semelhança como que acontece com os animais? Pois é. Esse pensamento nos coloca numa posição inferior, o que muitas vezes é necessário para entender a questão do veganismo. Por isso a ideia de um Extraterrestre, uma intervenção externa, que veio para esse planeta com o objetivo de salvar os animais das crueldades humanas e proteger o meio ambiente, sem deixar de ser fashion, é claro.

A tarefa de criar esse mascote ficou nas mãos do pessoal da Epic Aventuras Criativas, que soube materializar a ideia da Gabi da melhor forma possível.

Então, fiquem atentos: Izzy vai fazer aparições frequentes, seja por aqui ou nas redes sociais, com dicas pra lá de especiais.

Economia Circular e o Projeto Supernova

Você já ouviu falar em economia circular? Trata-se de um modelo que busca reduzir ou eliminar a extração de novas matéria-primas, e evitar ou facilitar o descarte dos produtos.

O modelo que nossa indústria segue hoje é linear:

Extração > Produção > Distribuição  > Consumo > Descarte

(se você ainda não viu o famoso vídeo “A História das Coisas, clica aqui, super recomendamos)

O modelo circular  se baseia na natureza: uma fruta, quando cai do pé, com a ajuda da ação do ambiente (vento, sol, chuva, micro-organismos) acaba se decompondo, e retornando ao solo como matéria orgânica nutritiva. Eventualmente, uma semente acaba por brotar, gerando uma nova planta, que gera um fruto, que cai do pé, se decompõe… é o ciclo natural da vida no planeta.

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Nosso modelo industrial acaba gerando resíduos que demoram aaaaaanos para se decompor,  liberam gases tóxicos nesse processo e consome matérias primas não renováveis – que um dia acabarão. Logo, esse modelo não pode existir por muito tempo em um planeta com recursos finitos. É necessário repensá-lo, e a natureza está aí para servir de inspiração.

Como criar produtos que tenham componentes orgânicos que podem ser decompostos ao final do ciclo? Ou, como reciclar materiais utilizando energia renovável, como a eólica e a solar, transformando- os novamente em matéria prima, sem reduzir seu valor? Ou como aumentar a vida útil de produtos através de consertos, substituição de materiais, acabando com a obsolescência programada?

https://greenstitched.com/2017/08/03/cradle-to-cradle-fashions-grave-reality/
O ciclo das roupas hoje: comprar > usar > jogar fora > descartar

Na moda, as três alternativas são possíveis. Porém, cada uma tem suas peculiaridades.

A reciclagem de tecidos é um processo um pouco complicado. Ainda não existe reciclagem de tecidos com fibras misturadas, que é o que acontece com a maioria dos tecidos. E dificilmente essa fibra reciclada se torna matéria prima com a qualidade original, tornando-se assim um subproduto, de qualidade inferior. A utilização de fibras orgânicas como linho e algodão orgânico é uma opção que reduz o tempo de decomposição, por serem fibras naturais. Porém, o ideal é que essas fibras não sofram nenhum tipo de tingimento com produtos químicos nocivos, que podem contaminar os lençóis freáticos.

manufatura > venda > uso > decomposição > plantio

A obsolescência programada acontece quando a indústria reduz propositalmente o tempo de duração de um produto, ou lança com frequência produtos atualizados, forçando ou influenciando o consumidor a adquirir a nova geração do produto. Na indústria do vestuário, é  o que chamamos de ‘moda’.  A ‘moda‘ de hoje não passa de formas de influenciar o consumidor a adquirir novos produtos, muitas vezes sem necessidade. A melhor forma de combater esse tipo de obsolescência dos produtos de moda (onde a meia arrastão é trend > vira brega > volta a ser in) é focar em produtos atemporais. Aquelas peças que todo mundo usa, independente de serem tendência ou não. Pensar em tecidos de qualidade, que sobrevivam ao uso contínuo e lavagens também é super necessário. Focar em um design atemporal, que não siga uma moda passageira e que cumpra seu papel de vestir/ proteger / esquentar. E isso tudo é responsabilidade do produtor / estilista de moda.

Pensando em formas práticas de fechar nosso ciclo, criamos o Projeto Supernova. Supernova é o nome dado à explosão de uma estrela massiva em seu estágio final de vida. Seu brilho pode ser tão intenso quanto o de uma galáxia, e sua a explosão cria nebulosas de gases coloridos e formas incríveis.
Assim como uma estrela que atinge seu maior brilho antes de morrer,  queremos que nossas peças brilhem por muito tempo antes de serem descartadas – se isso acontecer. Os brechós tem sido grande fonte de aquisição de novas peças: o que antes era uma prática da população de classes mais baixas, hoje se torna uma prática comum à todos. Com o objetivo de fomentar essa prática tão benéfica ao planeta – afinal, a roupa mais sustentável é a que já existe – resolvemos dar um bônus para quem devolver ao Espaço GB sua roupa GB usada. Avaliaremos as peças, executando os reparos que se fizerem necessários, e depois revenderemos em um brechó organizado por nós mesmos.
E então chegamos em um ponto super importante: o dinheiro arrecadado com a venda dessas peças será destinado para algum projeto que apoie a causa animal. Essa é uma bandeira que levantamos o tempo todo, e achamos justo e lindo que nosso apoio vá além do discurso.
Essa é a forma que encontramos no momento de reduzir nosso impacto e aumentar a vida útil das nossas peças, adiando seu descarte. A tecnologia evolui exponencialmente, e acreditamos que em breve ela nos ajudará a encontrar novas formas de resolver esses velhos problemas. Mas não dá pra ficar esperando: precisamos agir, no que estiver ao nosso alcance nesse momento.
E aí, o que achou?

 

 

 

Editorial Fruit Eyes

Era um sábado à tarde, calor no sol, friozinho na sombra. No prédio que em um futuro breve será o novo lar da GB Clothing, mas que hoje possui apenas salas grandes com paredes brancas e janelas  bem iluminadas.  No meio do pó do piso de cimento mal acabado, uma arara reunindo as últimas criações da Gabi.  Duas chapas com cores vivas, pintadas pela própria Gabi no dia anterior escoradas na parede. Uma mesa com snacks veganos,  uma cafeteira com café quentinho e algumas frutas. Playlists escolhidas pelos integrantes da equipe se revezavam ao fundo, em um mix de modernidade e nostalgia dos anos 90. Ali se reuniram a Gabi, criadora da marca, Jonatan, produtor de moda, Tuany, fotógrafa e a modelo Amanda, para fotografar um look book para a loja virtual.

Sem poses forçadas, com apenas um direcionamento: “amiga, fica à vontade, só procura ficar virada pra janela”,  Amanda flutuava suave e feliz entre uma peça e outra, transparecendo naturalmente a maior bandeira da marca: a liberdade.

Com luz natural, sem pressão e com nenhuma pretensão:  assim nasceu o Fruit Eyes. Moda livre de estações, retoques e crueldade, mas repleta de alma.

Fotografia: Tuany Areze
Styling: Jônatan Cruz
Modelo: Amanda Cunha (Joy Model Management)
Beleza: Buh Abel Costa e Mauricio Lopes
Apoio: Gstore Caxias e Santa Lolla

 

Reflexões GB sobre o Dia das Mães

Quando pequenas, meninas ganham bonecas. Aprendem desde muito cedo a cuidar de uma reprodução em tamanho reduzido delas mesmas. Aprendem a fazer comidinhas, a alimentar, vestir, trocar fralda.  Enquanto isso, meninos montam naves espaciais com Lego, brincam com carrinhos, ferramentas e super-heróis.

Desde muito pequenas, nós mulheres somos treinadas para o momento que será o ápice da nossa vida: dar à luz a outro ser. E, de fato, gerir outro ser humano é algo lindo e forte. As atividades que envolvem tutorar esse novo ser humano são, também, de crucial importância e necessitam de dedicação e esforço contínuos. Ou seja, de forma nenhuma desejamos desmerecer a beleza e o trabalho de ser mãe, mas nos questionamos: será que esse é realmente o desejo de toda mulher? A maternidade sempre foi vista desta maneira? A criação dos filhos sempre esteve prioritariamente nas mãos das mulheres? Resolvemos dar uma pesquisada para compreender um pouco mais sobre como chegamos até aqui.

Maternidade Compulsória e contexto histórico

Não há como falar de maternidade compulsória sem entrar nos méritos do machismo. Pra quem acha que igualdade de gênero é uma demanda recente, temos algumas infos: nas tribos de caçadores-coletores na pré história, homem e mulher possuíam poder de decisão igual, e exerciam papéis sociais parecidos. A monogamia era norma, e os homens ajudavam a cuidar das crianças.

Reconstituição histórica do homem de neandertal no Museu de História Natural de Manhattan.

Segundo o antropólogo Mark Dyble, a igualdade entre os sexos pode ter surgido como uma vantagem de sobrevivência, e distinguiram nossos antepassados dos primatas: “Os chimpanzés vivem em sociedades agressivas, dominadas por machos, e têm hierarquias claras”. A mulher, tendo poder de decisão igual ao homem, acabava optando por agregar à tribo seus irmãos e pais, e a cooperação entre indivíduos foi grande responsável pela transmissão de conhecimento e inovações. Apenas com o surgimento da agricultura e com a ideia de acumulação de recursos é que a desigualdade de gênero começou.

A mulher até então era admirada por gerar vida: acreditava-se que ela possuía poderes mágicos, e tinha forte ligação com a agricultura e a fertilidade dos campos. Tinha seu papel destacado, mas não era considerada mais poderosa do que o homem. Ambos viviam em harmonia.

Vênus de Willendorf – estudos mostram que essas estatuetas representavam a Deusa Mãe
Terra, a mãe da fertilidade, e que eram carregadas e utilizadas como amuleto de função mágica.

Alguns historiadores atribuem a invenção do arado ao início da desigualdade, pois era necessária uma força maior para uso do mesmo, que passou a ser controlado pelo homem. Poder foi relacionado então à força física.

Outro fator que contribuiu para isso é que, em certo momento, foi percebido que a mulher só gerava vida após ter contato com um homem. O culto ao feminino caiu por terra, e os homens atribuíram a si mesmo uma posição de poder sobre a geração de filhos. 

A mulher se tornou apenas o receptáculo, e o homem passou a ser o responsável por plantar a semente de uma nova vida. Surge o conceito de família, como forma do homem ter controle da sua prole, pois quanto mais filhos, mais mão de obra para trabalhar na agricultura. O tempo passou e surgiu a religião que acabou por fortalecer o patriarcado. A mulher foi perdendo sua importância e sua liberdade.

O papel social da mulher: bela, recatada e “do lar”
“Mr and Mrs Andrews”, Thomas Gainsborough, 1750

Foi atribuído à mulher então, papel de reprodutora e cuidadora do lar, submetida ao poder do homem. E criou-se todo um romantismo em torno da figura de mãe. Temos como exemplo Maria, mãe de Jesus, uma mulher virgem e pura, e que a única função memorável foi dar à luz ao salvador, um homem.

Por trás de todo grande homem existe uma grande mulher”

O único tipo de mãe aceita socialmente é a mãe casada. Uma mulher que gera um filho para herdar o sobrenome do pai e seguir com a linhagem. Uma mãe que faz tudo por seus filhos, abre mão de seu emprego, quando necessário, de sua vaidade e de seu prazer. Apoia seu marido em suas conquistas, oferece o suporte necessário, assume e toma conta do lar e dos filhos. É excluída do mercado e das decisões importantes na sociedade.

Após a expansão industrial e incorporação da mulher na força de trabalho, o papel da mulher começou a se modificar. Além de mãe, ela inicia sua jornada no mercado de trabalho, mas ainda assim continua responsável pelo lar e pelos filhos.

Mãe x mulher

Essas palavras têm se fundido durante toda a história. É difícil desligar a mulher da imagem de mãe. Faz muito pouco tempo que essa ligação entre mulher e mãe começou a ser questionada como indissolúvel.

A mulher contemporânea têm desejos diferentes. Luta por sua liberdade de escolha, tem emprego e carreira. Tem acesso a uma gama de opções que não tinha até pouco tempo atrás. Mas a pressão social para se tornar mãe ainda existe.

Fica difícil para a mulher competir com um homem pelo mesmo sucesso na carreira, quando o homem homem – com ou sem filhos – pode se dedicar a isso em tempo integral, e a mulher tem que se tornar mãe antes dos 40 (e vá pressão para congelar óvulos) e ainda manter o lar e a vida pessoal em ordem. Além disso, devemos considerar que, em uma sociedade que entende as conquistas profissionais como o principal sinal de sucesso e poder, e na qual o poder é o que te dá um “lugar à mesa” nas grandes decisões sociais, fica claro que as relações de poder entre homens e mulheres estão longe de serem equilibradas.

Ser mãe é uma escolha muito pessoal, que só cabe à própria mulher decidir.  E, por mais que estejamos em um período que permite maiores discussões sobre o assunto, no qual as mulheres tem muitas liberdades que outrora não desfrutavam, a decisão de ter um filho ainda é uma decisão que impacta a vida profissional e a rotina pessoal de forma desproporcional entre homens e mulheres.

Uma mulher pode ser mãe, profissional e mulher, sem dúvida nenhuma, se isso for o que ela deseja. Entretanto, hoje isso não parece estar colocado como uma escolha, e sim como modelo a ser alcançado por todas nós e que mais nos engessa do que liberta. Ao invés de nos sentirmos livres para sermos mães, profissionais, profissionais-mães, mulheres, mulheres-profissionais, mães-mulheres-profissionais e o que mais quisermos, agora devemos ser tudo e sem esperar grande ajuda dos homens-pais. Nem toda mulher quer ser mãe, nem se torna menos mulher por isso. E nem toda mãe quer abraçar o mundo e não se torna menos forte e independente por isso.

Nós mulheres somos portais para esse mundo. Ninguém chega aqui senão através de uma mulher, e isso é realmente poderoso. Que nossas decisões sejam respeitadas e que nosso desejo de trazer outro ser humano ao mundo seja genuíno, e não fruto de pressão social. 

Parabéns a todas as nossas mães que proporcionaram a nossa geração o poder da escolha, e que o dia das mães não seja apenas mais uma data comercial, e sim um momento para refletir sobre o papel da mãe e da mulher na sociedade.

(Esse texto reflete a opinião e realidade da mulher branca, cabendo recortes para outros contextos)

 

Quem Faz Suas Roupas GB?

O Fashion Revolution é um movimento mundial, que tem como objetivo conscientizar os consumidores sobre os impactos sociais e ambientais da cadeia da moda, exigir transparência e celebrar as boas práticas.

Foi criado em 2013, após uma tragédia em Bangladesh que abalou o mundo: o edifício Rana Plaza, que abrigava diversas confecções de roupas (muitas produziam em larga escala para renomadas marcas globais) desabou, causando a morte de 1.134 trabalhadores e deixando outros 2.500 gravemente feridos.  Para dar um basta a essa realidade,  nasce em Londres o Fashion Revolution. O movimento cresceu e hoje está presente em muitos países, inclusive o Brasil.

Demonstrando nosso apoio ao movimento e respondendo a pergunta: Quem Fez Minhas Roupas? apresentamos para vocês a equipe GB completa, com todas mulheres que participam do processo de confecção das nossas peças, acompanhadas de um textinho escrito pela própria Gabi. Nossa pequena homenagem à essas mulheres que, com muito carinho e dedicação, dão vida a todas as peças lindas que você só encontra na GB <3

Izabel, mãe da Gabi: “Minha mãe trabalha com moda a 40 anos. Com ela que tudo começou e sem ela não existiria GB. Ela constantemente me ensina sobre dedicação, resiliência e sobre amar o que se faz. Desconheço alguém com tanta energia e motivação, faça chuva ou faça sol. Além disso, pude crescer vivendo o dia a dia de uma confecção e hoje posso contar com essa equipe incrível graças a ela.”

 

Bea, gerência da produção e corte: “Está conosco a 25 anos. A Bea é parte indispensável da GB. É ela quem aguenta as minhas loucuras, organiza a produção e o que mais for necessário, fazendo tudo com dedicação e qualidade. A Bea é focada, resiliente, divertida e muito leal. Além do fato de ser uma das minhas mães, pois ajudou a me criar desde quando nasci <3”

 

Scheila, cortadora: “Está conosco a 5 anos. A Scheila aprendeu com a Bea a arte do corte manual e ela tem um verdadeiro dom neste ofício. Outro dom dela é lidar com todas as situações de forma tranquila e carinhosa. Com ela sempre se pode contar!”

 

Elba,  auxiliar de serviços gerais: “A Elba está conosco a 4 anos. A Elba é dona de uma personalidade forte, cheia de opinião! Tem um olho de raio x para detectar falhas e não tem o que ela não faça bem feito!”

 

Bia, estagiária: “Está conosco a 3 anos. A Bia é pequena e quietinha, mas é uma gigante na dedicação! Uma guria suave, mas com muita personalidade, que amamos ter aqui conosco.”

 

Ilda e Dalma, costureiras:  “A Ilda esta conosco a 5 anos. Ela é comprometida e sempre disposta a aprender. Tem uma personalidade doce, mas com muita força dentro dela! A Dalma está conosco a 21 anos. A Dalma é uma pessoa passional! E ela carrega essa paixão em tudo que ela faz. São duas décadas de dedicação e força para resolver os pequenos desastres que acontecem todo dia dentro da confecção!”

 

Gabriela Basso, designer:  criadora da  marca que leva seu nome,  cresceu no ateliê da mãe, e desde pequena já se encantava com a moda. Hoje exprime sua personalidade através da marca,  criando peças minimalistas, confortáveis, elegantes e cheias de alma que  são produzidas no ateliê que ela divide com a mãe.

#FashionRevolution

Moda Vegana – Porque não usamos seda, lã, pele e couro.

Se você já conhece nossa marca, sabe que ela é vegana, mas seguidamente somos questionados sobre o que é uma roupa vegana. De fato, o veganismo é mais comumente associado à alimentação, mas ele vai bem além disso. Por definição, um vegano “busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais” – The Vegan Society. Isso significa que o veganismo opera em todas as áreas, como a da beleza, entretenimento e até o vestuário.

Mas como, então, o veganismo se aplica em uma marca de roupas?

Bem, basta abolir a utilização de pele e couro de animais, e de fibras de origem animal, como a seda e a lã.

Achou extremo? Pois esse pensamento está cada vez mais em alta.
Desde o ano passado, diversas grandes marcas se posicionaram sobre o uso de peles animais, retirando este “material”, até então considerado como luxo, de suas criações. É o caso da Armani, Gucci, Tom Ford, Versace, Diane Von Fustemberg entre outras. Aos poucos, com a ajuda do respaldo que essas marcas possuem, carregar a pele de outro animal está virando algo antiético e, no mínimo, brega. Além disso, mas não somente por isso, opções sintéticas e vegetais já são de altíssima qualidade e sem deixar nada a desejar na questão estética.

Fazenda de Pele 🙁
Coelhinho

Porém, quando falamos de couro ainda temos um longo caminho pela frente. O couro ainda é visto como sinônimo de qualidade e resistência, quando na verdade deveria ser sinônimo de sofrimento e poluição. O processo de curtimento do couro leva grandes doses de insumos tóxicos, que acabam por poluir a água, além das condições em que são mantidos os animais durante sua curta vida rumo ao abatedouro. Isso sem falar que nem todo couro que se vê por ai é das vaquinhas que foram usadas para consumo humano.
Tem muito cachorro e gato nas bolsas e acessórios produzidos no oriente, como já falamos em outra postagem.

Vaquinhas

Aqui, a indústria nacional de couro é muito forte, e sabemos que quando “bate” na economia é sempre mais complicado. Já existem no mercado opções super ecológicas ao couro, como o Muskin composto pelos micélios de cogumelos e o Piñatex, feito de folhas descartadas de abacaxi.

Muskin e sua semelhança com couro animal

Muitos ainda desconhecem o funcionamento da produção da seda, ou até mesmo desconsideram a importância da vida do bicho-da -seda, sob a premissa de que “os animais existem para usufruto da humanidade e que não possuem direitos básicos fundamentais por não serem membros da espécie humana”, pensamento arcaico  e antropocentrista que configura o especismo (assunto que pode gerar outro #textão aqui no blog).

Mas a verdade é que esses pequenos e talentosos animais passam por um processo
extremamente triste para que seu casulo possa ser usado. Sim, o bicho da seda é uma pequena lagarta que cria seu casulo para sofrer as mutações necessárias pra seu ciclo de vida. É justamente esse casulo que carrega o valioso fio da seda, arduamente tecido pelas lagartas. Entretanto, para que o fio não seja quebrado, é necessário impedir que as lagartas saiam dele, então, os casulo são mergulhados em água quente para que eles morram lá dentro, possibilitando que a fibra seja extraída sem interrupções. Agora considere que para cada quilo de seda, são necessários de 2000 a 3000 lagartas.

Pois é.

Bichinho-da-seda
Casulos de Bicho-da-Seda

Na lã o mesmo acontece. O argumento de que a produção de lã é natural para as ovelhas e que sua extração não as prejudica, se baseia em uma visão romantizada da coisa. Como na indústria da carne, as ovelhas são confinadas,  reproduzidas forçadamente, sofrem diversos tipos de violência, os carneiros são castrados sem anestésicos ou abatidos antes do tempo, sofrem ferimentos durante a tosquia que são infestados por larvas de parasitas. E por mais que, apesar da violência, esses animais não sejam mortos durante o processo de extração da lã, assim que não estiverem mais aptos para isso, serão mandados para um abatedouro comum. O fim deles é sempre o mesmo.

Ovelhinhas

Sim, é horrível mesmo.

Defendemos a liberdade e o respeito entre humanos e os outros animais, por isso, aqui na GB todos os nossos produtos são livres de sofrimento <3

E as roupas continuam lindas 😉

Como sociedade de consumo, estamos acordando agora para os bastidores das indústrias e dos produtos que consumimos. Pesquise, questione as marcas, boicote, seja curioso: você é uma peça fundamental nessa transformação.

Mais ovelhinhas

Desconstruir para evoluir: por uma moda mais real

Você já ouviu falar em Fashion Revolution? 

É um movimento mundial que surgiu em 2013, com o objetivo de conscientizar os consumidores sobre os impactos sociais e ambientais da cadeia da moda, exigir transparência e celebrar as boas práticas.  Inspiradas nesse evento, que ocorre sempre em abril, resolvemos mudar um pouco algumas coisas aqui na GB.   

Sabemos o quanto a moda influencia o comportamento, tendências de consumo e a autoimagem dos indivíduos atingidos por sua mensagem, ou seja: qualquer pessoa que assista filmes, leia revistas, passeie pelo shopping ou pelo centro da cidade. 

Estamos tão acostumados a consumir imagens “perfeitas” que não sabemos mais valorizar a beleza natural das coisas. Aqui na GB, as coisas são feitas à seu tempo, respeitando a criatividade da nossa designer. 

Sabemos que o mercado “força” uma produção frequente, sempre exigindo novidades, o que não podemos esquecer é que são seres humanos os responsáveis por fazer essa roda girar. Sabemos que temos muuuuita coisa pra mudar nessa indústria, mas resolvemos começar com um pequeno passo, bem importante pra gente. 

Adeus Photoshop: imagens cruas, reais, é o que você vai ver por aqui.  

As roupas também são reais! Por isso, não se surpreenda se você encontrar algum cantinho amassado, uma preguinha, um pedacinho de forro interno em nossas fotos. Prezamos tanto pela qualidade na hora de criar e produzir nossas peças, que queremos mostrá-las assim, do jeito que realmente são. Não temos nada a esconder em nosso processo e no produto final. Produziremos imagens sem nenhum retoque ou ajuste, e em poses singulares, com movimentos que realizamos no dia a dia.  

Chega de moda estática! Já passou da hora de considerar o “recheio humano” que vai dentro de cada peça, e que, convenhamos, deve encontrar nas roupas que veste liberdade de movimento, e não uma limitação. Nossa modelo Cami usa maquiagem criativa, e não corretiva. Ela acredita em nossos ideais e se mostra livre, assim como as peças, de qualquer alteração digital. 

Cada tecido tem suas características, e queremos valorizá-las. Alguns mais sequinhos, outros esvoaçantes, todos devidamente expostos, pra você não ter surpresa nenhuma na hora em que receber sua peça GB. 

A luz utilizada nas fotos é natural. É esse sol que você vê aí da sua janela, que vai mudando de posição e de cor. Forte ao meio dia, alaranjado no final da tarde e às vezes escondido atrás de alguma nuvem, deixando tudo mais suave. Por isso nossas fotos também não são todas iguais. Respeitamos o grande astro rei em sua jornada diária, e utilizamos da melhor forma a luz que ele nos oferece. 

Queremos mostrar pra você, nossa cliente, amiga, leitora, ser humano presente aqui e agora no que acreditamos.  Acreditamos na liberdade. De padrões, estereótipos, dos animais, de clichês e rótulos. Que cada um possa ser único em toda sua extensão, de dentro pra fora e que a moda seja uma aliada na expressão de suas crenças e valores. 

Que esse nosso pequeno passo em direção a uma moda mais real mostre que é possível sim fazer diferente, melhor e que, com certeza, será o primeiro de muitos. 

 Com carinho, 

Equipe Gabriela Basso Clothing. 

5 produtos que contém ingredientes de origem animal e você nem sabia

Todo mundo sabe que não é fácil ser vegano. O veganismo vai muito além da dieta, é um estilo de vida que impacta a maioria das suas decisões de compra, como cosméticos, produtos de limpeza, roupas… a lista é grande!

A pesquisa se torna parte do dia a dia de um vegano, pois grande parte dos produtos que a indústria nos oferece hoje possuem algum ingrediente de origem animal. Listamos aqui alguns produtos que podem passar despercebidos, por não terem tão explícitos o uso de produtos de origem animal.

 1: Cápsulas de remédios

A maioria dos veganos sabe que a gelatina é feita de colágeno animal. Mas pouca gente sabe que as cápsulas de remédios também são feitas de gelatina. “Trata-se de uma proteína derivada da hidrólise parcial do colágeno, que é obtido de partes de animais, como ossos”, explica a farmacêutica Fortune Homsani. Já existem no mercado capsulas fabricadas a partir de fibras de celulose e tapioca, mas ainda não tem seu uso tão comum.

2: Açúcar

Algumas marcas utilizam cinzas purificadas feitas com ossos de animais no refinamento do açúcar. Como alternativa, você pode optar por açúcar mascavo, que não passa por esse processo de refinamento, ou pelo açúcar cristal orgânico.

 3: Produtos de cor vermelha

O corante Carmin é produzido com insetos, as cochonilhas, e tem amplo uso em cosméticos e na indústria alimentícia. São necessários cerca de 70.000 insetos esmagados e fervidos para produzir apenas 450 gramas deste corante. Para identificá-lo, preste atenção aos rótulos, ele pode aparecer como: Corante natural carmim de cochonilha, Corante natural carmim, corante cochonilha,  C.I. 75470 ou E120.

4: Tatuagem

Pouca gente sabe, mas a tinta preta utilizada para tatuar é feita de ossos de animais queimados. O agente carregador da tinta é feito de glicerina, de origem animal. Até a gilete que é utilizada pode conter uma camada de glicerina, para aumentar a hidratação. Já existem opções de tintas veganas, mas ainda são difíceis de serem encontradas.

5: Sacola Plástica

A gente já sabe de todos os perigos do plástico. Mas você sabia que é utilizada gordura animal para reduzir o atrito do material, e gerar o efeito estático do plástico? Pois é, não tem mais desculpa para não utilizar ecobags!

 

Um mamilo (ainda!) incomoda muita gente.

Esse texto pretende analisar algo presente no corpo de todo mundo, mas que causa polêmica/repulsa/espanto quando pertence a uma mulher: o mamilo.

Aqui fazemos uma análise minuciosa das características biológicas e sociais que mistificam essa partezinha do nosso corpo, e a tornam um símbolo de liberdade. 

Começamos pelo sutiã.

A não ser que você tenha peitos grandes, ou pratique exercícios físicos, o uso do sutiã é dispensável. É claro que isso deveria ser uma escolha sua, mas somos impulsionadas a usá-los desde cedo. É quase um ritual de passagem, aquele momento que a menina começa a desenvolver o corpo, e logo surge o primeiro sutiã.

Mas, porque mesmo a gente usa?

Listamos aqui dois motivos, talvez você se identifique com um deles:

1 – Criar a ilusão de peitos maiores.

Ainda somos influenciadas diariamente por padrões estéticos, e muitas de nós ainda não estão completamente blindadas quanto à isso. Às vezes, para se sentir bonita ou mesmo ‘adequada’, acabamos adaptando algumas coisas que vieram no nosso ‘embrulho humanoide’.

Foi quem mesmo que disse que peito bonito tem que ser grande e redondo?

Humm, os homens né? Através da mídia, fotografias, cinema, obras de arte. E aí a gente corre atrás de resolver esses defeitos ‘apontados’ pelos homens.

2 – Esconder os mamilos.

Blusinha transparente mostra os mamilos. Blusinha fina também. Mesmo que na hora esteja tudo OK (escondido), se bater um ventinho, ele vai mandar um ‘oi’. E junto com isso, vai surgir o famigerado constrangimento. Porque um pedaço do seu corpo está um pouco proeminente, e isso pode incomodar algumas pessoas (a barriga tá aqui mandando avisar que também se identificou com essa parte).

Tem roupa que é aberta atrás (mostrar as costas está ok, ufa!), mas seu sutiã não pode aparecer, porque também é feio mostrar o sutiã. Aí a gente inventa umas coisas tipo “sutiã de silicone”, ou usa band-aid, fita isolante (Kim Kardashian manda Oi) numa tentativa desesperada de manter os peitos no lugar – que disseram que eles tem que ficar – e esconder os mamilos.

Biologicamente falando…

Se você observar a anatomia do mamilo, ele é perfeitamente desenhado para a função que lhe é designada, juntamente com o peito: alimentar seu bebê.

Uma das características dos seres vivos é gerar novos indivíduos, transmitindo seu DNA, evoluindo e garantindo a sobrevivência da espécie. Hoje em dia nem todo mundo quer ter filho, e mais do que superpovoar o planeta, sabemos que existem atitudes beeem melhores que podemos tomar para garantir o futuro da espécie, como reduzir a produção de lixo e a utilização de recursos não renováveis, por exemplo.

“Os mamilos têm capacidade erétil e respondem a estímulos sexuais e ao frio, tanto nas mulheres quanto nos homens, que também têm glândulas mamárias, embora menos desenvolvidas.” Site do Dr. Drauzio Varella. Leu bem? Sim, os mamilos masculinos também ficam eréteis. Então, se biologicamente nosso peito tem a função de produzir leite, e tanto o mamilo masculino quanto o feminino respondem a estímulos, porque só o nosso é censurado? Nesse ponto a gente sai da biologia e entra nas questões sociais.

A erotização do mamilo

A sexualização do corpo feminino é uma construção que vem da nossa sociedade culturalmente patriarcal.  Patriarcal vem do grego “pai de uma raça” ou “chefe de uma raça”. Logo podemos concluir que: é a visão do homem sobre o nosso corpo. É o homem ditando há anos o que deve ser mostrado ou não, o que deve mudar, o que é certo e o que é errado.  Se você acha seu corpo feio, ou tem vergonha de mostrar os peitos, dá uma pensada, provavelmente você está sendo influenciada por essa visão patriarcal.

Censura nas Redes

Micol Hebron postou em suas redes uma foto com os seios à mostra e foi censurada. Detalhe, na foto ela aparecia ao lado de dois homens, também sem camisa, com os mamilos aparecendo. A artista então ‘recortou’ um mamilo masculino e o utilizou para cobrir os seus. Dessa vez, a foto não foi censurada. Ela disponibilizou na internet o template do mamilo para que outras mulheres pudessem usá-lo para censurar os tão assustadores ‘mamilos femininos’.

O movimento Mamilo Livre também encontrou uma forma de lidar com a censura. O problema foi resolvido criando ‘mosaicos’ com 4 fotos, que juntas formam um peito. O Facebook não consegue analisar as quatro fotos separadas, e consequentemente não rola censura. A campanha foi aderida nacionalmente, espalhando milhares de mamilos pelas timelines Brasil a fora.

Mamilos unidos jamais serão vencidos.

“Eu cresci numa época em que não usar sutiã era sinônimo de desleixo ou vulgaridade e ainda lembro bem o quanto é limitador ter que pensar no bico do seio na hora de escolher a roupa. Penso que esse tabu, como diversos outros, é mais uma das algemas do patriarcado, mais uma ferramenta de controle da mulher na sociedade. Pois, quer forma mais eficaz de controlar alguém do que fazer do próprio corpo desse alguém algo do qual se deve ter vergonha ou pudor? E se o corpo da gente é ofensivo e não temos escolha de nascer nele como ele é, que Natureza sádica é essa? Eu acredito que a Natureza é perfeita e por isso sei que eu nunca nasceria em um corpo que eu devesse esconder. Considero o mamilo aparente ou o não uso de sutiã um ato de libertação, mas também como ato político carregado de significados de amor próprio e não conformidade. Tornaram nossos seios partes separadas de nós, sexualizaram eles, definiram qual o formato padrão perfeito e até criaram formas de modificá-los cirurgicamente para apelar mais aos desejos masculinos, então que agora aprendam a lidar com o nosso empoderamento através deles. – depoimento da Gabi e sua relação com os mamilos.

A conclusão que queremos chegar aqui é que: o mamilo é seu, e você faz com ele o que quiser. Sabemos que ainda temos um looongo caminho de desconstrução social pela frente, mas a gente é forte e não desiste.

E lembre-se: não importa o que você fizer com seu mamilo, a gente tá contigo, ok?

 

Ceia sem crueldade!

Festas de final de ano são sempre um pouco complicadas para quem é vegano. Lidar com a família, que por vezes pode não ser muito receptiva, e com a ceia que costuma ser baseada em muitos produtos de origem animal, pode ser sofrido para alguns. Por isso mesmo eu acredito que temos que tomar para nós – que somos veganos – a incumbência de levar para a ceia opções sem crueldade que façam brilhar os olhos e o paladar dos familiares e amigos carnistas.

Por isso, resolvi separar alguns vídeos com receitas de Natal que eu curti e que pretendo fazer! Seja para copiar ou tirar algumas ideias legais para as tuas receitas autorais, vale a espiada. Bóra lá!

Seitan Rechado:

Rocambole de Lentilha:

Rabanada Vegan:

Assado de Nozes:

Couve Marinada:

Salpicão:

Rolinho de Canela:

Cheesecake:

Torta de Palmito:

Vegetais Assados:

E essas são somente algumas opções! Usa a tua imaginação (e teu acesso a internet) e vamos veganizar as ceias desse Brasil <3

Até!